Governo não pretende reagir à saída de Flávio Bolsonaro para os EUA
Governo não pretende reagir à saída de Flávio Bolsonaro para os EUA

Planalto avalia que o episódio não exige resposta oficial e manterá diálogo pragmático com os governos de Donald Trump e Javier Milei.

O governo brasileiro não pretende se manifestar nem reagir diplomaticamente à atuação dos Estados Unidos e da Argentina na operação que teria permitido a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Segundo a avaliação do Planalto, o episódio não cria constrangimento diplomático e não exige uma resposta oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma eventual reação oficial dependerá do surgimento de novos fatos. A orientação é manter uma relação pragmática com os governos de Donald Trump e Javier Milei, sem deixar que a situação interfira no diálogo diplomático e comercial.

Integrantes do governo avaliam que o cenário atual é mais favorável do que durante a crise do tarifaço, quando membros da família Bolsonaro atuaram junto ao governo norte-americano. Também consideram que a vitória de Lula nas urnas enfraqueceu a articulação política de Flávio no exterior e reduziu o espaço para questionamentos sobre o processo eleitoral brasileiro.

Relação com os Estados Unidos

Em relação aos Estados Unidos, o governo pretende manter o diálogo e evitar que divergências políticas prejudiquem os interesses dos países. A diplomacia brasileira aguarda o resultado das eleições legislativas americanas, que, segundo o governo, será um divisor de águas para a relação bilateral.

A nova composição do Congresso americano poderá ter maioria de oposição na Câmara e no Senado e ajudará a definir a força política de Trump. O governo brasileiro considera necessário esperar o resultado das urnas americanas antes de avaliar com mais clareza o cenário político e os próximos passos da relação.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viaja nesta quinta-feira para Atlanta, onde participará de uma reunião de chanceleres do G20 na sexta-feira. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também estará no encontro; até o momento, não há reunião bilateral marcada, mas o governo não descarta uma conversa caso Rubio tenha interesse.

Participação da Argentina

O governo brasileiro também acredita que a gestão de Javier Milei colaborou com a operação que teria permitido a saída de Flávio Bolsonaro do país, mas deve evitar uma reação se não surgirem novos fatos. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o episódio expõe dificuldades do senador após a derrota nas eleições presidenciais.

Integrantes do governo suspeitam que o conteúdo da carta divulgada por Flávio Bolsonaro após sua saída do Brasil possa ter sido ajustado depois de contatos com autoridades americanas. Segundo essa hipótese, ele teria trocado a expressão “presidente eleito” por “líder”, mas a possibilidade não foi confirmada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Fonte: g1.globo.com, “Flávio Bolsonaro: Governo não reagirá à fuga para EUA”